15 de jun de 2017

Vinhos naturais uma realidade presente agora na Casa do Porto



Quando falamos sobre vinhos naturais quase sempre acabamos em discussões que não nos levam a lugar algum se houver radicalização. A tendência de se produzir vinhos mais naturais e sem aditivos é mais do que bem vinda, e para mim eles voltaram para ficar, afinal no passado os tratos culturais e os processos de fabricação era os mesmos que os naturalistas utilizam. Mas admito que não me agrada nem um pouco tomar vinhos com defeitos de fabricação e rotulados como “ grandes vinhos”só pelo fato de “serem naturais”. Mas vamos ao que interessa, na semana passada recebi um convite do amigo Péricles da Casa do Porto para provar sua linha de vinhos naturais italianos. Como sempre a apresentação foi muito descontraída contando inclusive com a presença do simpático proprietário da Panzanello e de seu curioso filho. De modo geral gostei muito dos  toscanos desta vinícola, muito fáceis de beber e altamente gastronômicos, entre os Piemonteses me agradou o Barolo, mas devo admitir que desta vez meu coração ficou para os vinhos da Campania, uma aula de vinhos bem elaborados
Vamos aos vinhos provados:


VENETO
Durello Sui lieviti Purocaso IGT 2015 - Corte Moschina - Um espumante delicado, floral,e mineral. Muito vivo e fresco na boca - R$ 130


TOSCANA

Del Mulino Bianco sem sulfito IGT 2016 – Fattoria Lavacchio Um Trebbiano cítrico com toques de damasco e fácil de beber – R$ 110

Chianti Puro Docg sem sulfito 2016 Fattoria Lavecchio –. R$ 130

Chianti Classico Docg 2013 -  Panzanello -  R$ 145

Chianti Classico Riserva 2012- Panzanello – Complexo, violetas , especiarias, fruta vermelha madura, ótima acidez, taninos finos , vibrante, gostoso. R$ 200


Il Manuzio IGT 2010 – Panzanello – -Meu favorito entre os toscanos. Frutas vermelhas maduras, herbáceo, couro e toque terroso. Vinho estruturado ótima acidez, taninos doces, harmônico. R$ 260

Vindea IGT 2011 – Panzanello -Vinho direto austero, framboesa, grafite. Na boca limpo, alta acidez, taninos finos, muita mineralidade, para guarda, grande vinho mas preço pesou. R$950

PIEMONTE

Brachetto Regalo DOC 2016 – Ca Del Profeta R$ 85

Grignolino DÁsti  2016 – Ca Del Profeta - R$ 115

Barbera  d’Asti 2016  - Ca Del Profeta– R$ 135

Barbera D’Alba DOC 2016 –Diego Pressenda –R$ 135


Barolo Barbadelchi DOC 2013 – Diego Pressenda –Pétalas de rosa, frutas vermelhas maduras, tabaco, animal. Boca austera, ótima acidez, taninos presentes finos, complexo  - R$ 450


CAMPANIA
Irpina Rosso Sanserino DOC 2014 – Tenuta Cavalier Pepe - Violetas, cereja, toque  terroso. Boca macia ótimo custo benefício – R$ 130

Irpinia Campi Taurasini Santo Stefano DOC 2012 – Tenuta Cavalier Pepe - Cereja amarga, pimenta, leve menta, e alcaçuz. Austero, seco, boa acidez, taninos presentes, senhoril, final de boca duro e gastronômico, gostei muito – R$ 210

Taurasi Opera Mia DOCG 2011 - Tenuta Cavalier Pepe -Ameixa preta, anis, especiarias, tostado, e violetas. Direto, seco, taninos presentes finos, final de boca austero pedindo ainda mais tempo de guarda, delicioso – R$ 430


Taurasi Riseva La Loggia Del Cavalier DOCG 2011 – Tenuta Cavalier Pepe - Complexo, ameixa, cereja preta, canela, e madeira velha. Na boca, exuberante, alta acidez, taninos presentes finos final seco e austero, meu favorito do dia  - R$ 550

Ai está uma uma boa oportunidade de conhecer alguns vinhos que chegam pela primeira vez ao Brasil, dento do conceito natural de ser !!


Casa do Porto: Fone (011) 3061 3003 

9 de jun de 2017

Acompanhe o dia de um jurado de vinhos


Já se passaram 25 anos desde a primeira vez que me sentei a uma mesa para julgar vinhos às cegas, e me lembro muito bem da concentração pra fazer o melhor trabalho possível e ansiedade para saber como minhas notas comparavam com a média dos outros degustadores mais experientes, afinal isto é sempre um desafio e desafio gera emoção.  Com o passar dos anos organizei e participei de diversos grupos de degustação para varias mídias como a Vinho Magazine, a Divino, o Jornal Vinho e Cia, o Diário de São Paulo, a Free Time , e nos últimos 8 anos para a Revista Go Where, sem mencionar os diversos eventos internacionais. Mas este ano fiquei extremamente honrado ao receber um inesperado convite do Concourse Mondial de Bruxelles para fazer parte do corpo de jurados de sua 24ª  edição que ocorreu na linda cidade de Valladolid, para mim foi um reconhecimento ao trabalho sério que tenho feito nestes últimos anos. Fiquei em dúvida de como postar algo sobre este evento, e depois de pensar um pouco me convenci que seria interessante escrever sobre o dia a dia de um participante, espero que vocês gostem. 

Foram 3 dias de trabalho junto a outros 230 jurados internacionais julgando mais de 9000 vinhos inscritos. Há de se destacar o tremendo profissionalismo e organização, certamente o motivo do “Concourse” ser hoje um dos 3 mais importantes concursos de vinho do mundo e de seu vertiginoso crescimento nestes últimos anos.

DAY ONE
Tudo se inicia  com a chegada Madrid, e de lá para Valladolid em um taxi que me levou até o hotel, como não havia dormido nada no avião preferi sacrificar a manhã do primeiro dia, que era free, para um banho reconfortante e tirar o atraso com o sono, Acordo e faço um almoço rápido e passeio pela linda e calma cidade, volto ao hotel e me dirijo ao primeiro evento oficial, um workshop dos vinhos de Castilla e Leon. A seguir um jantar de abertura com a presença de todos os jornalistas convidados.

SEGUNDO DIA
Saída do hotel as 8,15 rumo a Feria de Valladolid onde serão realizadas todas as degustações. Lá encontramos tudo perfeitamente organizado, as mesas com os nome de cada um dos jurados e dos presidentes de mesa, fichas de degustação já preenchidas com nome do degustador, número de mesa, vinho e painel, água, pão, caneta, guardanapos, etc. Degustação começa às 9 horas com um vinho amouse buche para que os jurados, especialmente os que participam do evento pela primeira vez, possam calibrar suas pontuações. Até 13,30 tarefa concretizada, com a prova de  4 painéis às cegas contendo por volta de 15 vinhos cada um deles, sendo que ao final de cada lote entregamos as fichas individuais de cada vinho para o presidente de mesa que confere se tudo está preenchido corretamente, envelopa as mesmas e entrega ao supervisor de grupos. Ao final da prova recebemos informativo com os vinhos provados neste dia, ( Portugal Alentejo, Eslováquia Semi Dry, Espanha Catalunha, e França Medoc). Às 13 horas almoço na Cupula do Milenio, e de lá pegamos ônibus que nos levará à nossa primeira visita para uma das denominações que pertencem à região de Castilla e Leon, o meu ônibus foi para Cigales. Chegando lá, visita a Castillo de Fuensaldaña,  degustação de vinhos, palestra sobre a região e suas uvas, finalmente jantar com retorno ao Hotel em  Valladolid às 22 horas.

TERCEIRO  DIA
Saída do hotel 8,30 rumo a Feria de Valladolid, arrumação para foto com equipe inteira dos  jurados. Das 9 às 13,30 segundo dia de provas com 5 painéis (Itália Emilia Romagna, Prosecco, Chile Carmenere, Espanha Rioja,e  Itália Sicília). Das 13,30 às 15 almoço na Cupula do Milenio, de lá novamente pegamos nosso ônibus que desta vez nos levou para Ribera del Duero, para visita ao Castillo de Peñafiel , e visita com degustação de vinhos na vinícola Emina. Onibus de volta a Valladolid às 19 horas. Noite livre com programação dirigida para quem tivesse interesse. Preferi me juntar a um grupo de jornalistas  italianos amigos para jantar no Parrilha de San Lorenzo ( imperdível)


QUARTO DIA
Saída do hotel 8,30 rumo a Feria de Valladolid, Das 9 às 13,30 terceiro dia de provas com  4 painéis ( França Pays D’oc Viogniere 2016, Portugal Lisboa 2015, França Bordeaux tintos 2015, e China). 13,30 almoço de gala no auditório do centro cultural Miguel Delibes organizado pela comitiva chinesa. 16,30 às 19 Guided Tour, 20 horas saída do hotel e passeio de barco pelo rio Esgueva até o restaurante para o jantar de gala, último evento do programa.


Acho que deu para matar a curiosidade de quem nunca participou de algum evento do gênero, Agora espero poder descrever o programa do próximo Concourse Mondial de Bruxelles que será realizado na China na cidade de Beijin ! Rss


7 de jun de 2017

Vinho um mercado para quem sabe trabalhar



O mercado de vinhos no Brasil é realmente bastante complexo e competitivo, nestes 30 anos de participação ativa  assisti a um “turn over” de importadoras assustador, e o processo continua a causar vitimas e criar oportunidades para novos investidores.
A verdade e que novos modelos de venda vão surgindo e outros vão se esgotando, mas uma coisa é certa para vencer é necessário ter bons produtos, e é isto que vi anteontem na apresentação feita pela PPS Importadora, já conhecida por trazer os premiados vinhos da Quinta do Vallado, e os da Quinta Dona Maria,traz agora os italianos do Poggio Bonelli . 

No encontro de ontem com a presença de Lorenzo Fincini  diretor comercial da vinícola tivemos a oportunidade de provar boa parte dos vinhos por eles produzidos com direito a duas mini verticais com seus vinhos Top de linha. Para iniciar os trabalhos tomamos um refrescante e direto rosé elaborado com a toscanissima Sangiovese, mas ainda não disponível no mercado brasileiro. A seguir os exemplares já importados pela PPS elaborados pelo badalado enólogo Carlo Ferrini que presta serviços a vinícola desde 1999 e que também tem sua mão em ícones italianos como Castello di Fonterutoli, Casalferro, Lupicaia, Giorgio I, Asinone, Le Stanze,  Casanova di Neri, e outros.  
 
Chianti Classico Poggio Bonelli
Passemos agora aos vinhos provados:

Villa Chigi Chianti  2015 – Varietal 100% Sangiovese  sem passagem por madeira – R$ 110

Chianti Classico Poggio Bonelli  2012  - Corte 90% Sangiovese , 5% Merlot e 5% Cabernet Sauvignon com 10 meses de passagem por tonneau – R$ 220

Tramonto Doca 2011 - Varietal 100% Petit Verdot com16 meses de passagem por tonneau de R$ 459

Chianti Classico Riserva  2010 - Corte com 95% Sangiovese e 5% Cabernet Sauvignon com 21 meses de passagem por tonneau -  R$  435

Chianti Classico  Riserva 2007 - Corte com 95% Sangiovese e  5% Merlot com 21 meses de passagem por tonneau não mais disponível para venda.

Chianti Clássico Riserva 2006  Corte com 95% Sangiovese e  5% Merlot com 21 meses de passagem por tonneau não mais disponível para venda,

Poggiassai IGT 2012 - Corte 75% Sangiovese, 25% Cabernet Sauvignon  com 18 meses de passagem por tonneau novo – R$ 459

Poggiassai IGT 2010 - 75% Sangiovese, 25% Cabernet Sauvignon  com 18 meses de passagem por tonneau novo, não mais disponível para venda.

Poggiassai IGT 2007 - Corte 75% Sangiovese, 25% Cabernet Sauvignon  com 18 meses de passagem por tonneau novo, não mais disponível para venda

Vin Santo Occhio di Pernice - Varietal 100% Sangiovese – R$ 650
 
Chianti Classico Riserva 
Gostei demais do Chianti Classico Poggio Bonelli  2012  um tremendo custo benefício especialmente para os apreciadores dos vinhos do Chianti. Na linha dos vinhos mais caros fiquei apaixonado pelo Tramonto  Doca 2011 um Petit Verdot muito bem elaborado com perfeito balanço de boca e alta complexidade olfativa, fazia tempo que não tomava um vinho desta variedade tão generoso. Finalmente o Chianti Classico Riserva 2012 um vinho pronto para beber, vibrante, com boa tipicidade que além de tudo prometeu longa guarda, e delicioso Vin Santo Occhio di Pernice que se destacou por sua alta acidez o que lhe permitiu não ser enjoativo quando comparado a alguns de seus concorrentes de mercado.
 
Tramonto Doca
Desejamos sucesso a PPS e já na espera da sua escolha de nova origem que parece será a Espanha
 
Vin Santo Occhio di Pernice

PPS – Site: www.ppsimportadora.com.br – Fone (011) 3885 6268 

31 de mai de 2017

Encontro de Vinhos neste final de semana em São Paulo


 

Ontem a noite como de praxe participei do corpo de jurados que definiu os “Top 5” do próximo Encontro de Vinhos que será realizado neste sábado dia 03 de Junho das 14 as 22 horas no Espaço Traffô - R. Gomes de Carvalho, 560 - Vila Olímpia, São Paulo - SP . Este ano o encontro contará com os seguintes expositores: Adolfo Lona, Bendito Vinho, Cantú, Casa Flora, Perini, Chozas Carrascal, Familia Cassone, Job Total, Mistral, Wine to You, Vinhos & Vinhos.com, Winebrands, Wine Lovers e Vinci.  Vamos conhecer os ganhadores distribuidos por Espumantes, Brancos e Tintos:  

ESPUMANTES


Adolfo Lona Nature - Brasil

Sebastian Brut Ca Maiol - Itália

Pizzato Brut Rosé - Brasil

Casa Perini Brut Rosé – Brasil

Cava Roxane - Espanha

 

Meu favorito: Adolfo Lona Nature

 

BRANCOS

 
Los Andes Cassone Chardonnay – Argentina

Finca La Florência Sauvignon Blanc – Argentina

Pizzato Chardonnay - Brasil

Obra Prima Corte Branco – Argentina

Lugana Maiolo Trebbiano  - Itália

 

Meu Favorito:  Pizzato Chardonnay

 

TINTOS

 
Las dos Ces Crianza - Espanha

Chilcas Red One – Chile

Fausto Verve - Brasil

Obra Prima Series – Argentina

 

Meu favorito : La dos Ces Crianza

 

Passe um dia agradável tomando grandes vinhos : www.encontrodevinhos.com.br/comprar-ingresso

1 de mai de 2017

Uruguaios investem no Brasil com vinhos espanhois



 

O título pode parecer estranho, mas é a pura verdade ! Alejandro Rodrigues e Carlos Migues dois uruguaios que viveram por quase 10 anos na Espanha e se apaixonaram pelos generosos vinhos daquele país decidiram representar alguns produtores espanhóis em sua terra natal com muito sucesso, e o passo seguinte foi o de montar uma importadora em Porto Alegre para trazer os mesmos vinhos para o Brasil, foi assim que surgiu a Mundovino Brasil.  Recentemente tive o prazer de conhecer Alejandro, Carlos, Fabiana e alguns destes rótulos de dois de seus produtores, Casa Rojo com sua linha The Wine Gurus, e Bodegas Habla, e devo dizer que me agradaram demais.
 
A linha The Wine Gurus apresenta vinhos de jovens enólogos que se utilizam de uvas autóctonas em suas DOs de origem, mas dentro de uma nova filosofia buscando vinhos mais frescos, fáceis de beber e descompromissados, e o resultado não podia ter sido melhor. Provei a cava Molto Negre, o branco La Marimorena, os tintos Alexander vs the Ham Man, MMM Macho Man, Machinon, e The Invisible Man.

Meus destaques para o mineral La Marimorena 2015 varietal 100% Albariño da região de Rias Bajas com passagem de 5 meses em tanque de aço inox em contato com suas leveduras e 12,5% de álcool que custa R$ 147, um vinho direto fresco estilo bone dry que imediatamente me fez ficar com vontade de provar ostras frescas
O outro vinho que quero dar destaque  e o suculento Machinon 2015 um Garnacha bio dinâmico da região do Priorat com 5 meses de passagem por barrica mais 3 meses de garrafa e 14% de álcool de R$ 210, um vinho ainda jovem de alta complexidade olfativa e com grande potencial de guarda que eu adoraria harmonizar com cordeiro.

Da Bodega Habla localizada na quente região de Extremadura provei o fresco Sauvignon Blanc Habla de Ti 2015 que custa R$ 156 e o sensacional Habla Del Silêncio 2014 um corte com Syrah, Tempranillo e Cabernet Sauvignon com 6 meses de barrica e 14,5 de álcool que custa R$ 217, vinho que me agradou demais e pediu uma carne ensopada para  acompanha-lo.

 

Mundovino Brasil – Site: https: www.mundovinobrasil.com – Fone (051) 9307 2349