23 de mar de 2017

Capezzana 804 dC



Falar desta localidade toscana significa literalmente viajar no tempo. 804 anos depois de Cristo em terras hoje pertencentes a Capezzana em Carmignano já se produzia vinhos, como atestam arquivos históricos encontrados em Firenze. A história da família Bonacossi está, faz muito tempo, ligada a esta área, visto em 1475 Monna  Nera Bonacossi ter comprado as terras  e nelas construido uma vila, além de armazéns e uma vinícola. Com o passar do tempo a propriedade acabou  negociada e passou pelas mãos de diversas outras famílias até que em 1920 voltou a ser adquirida pela família original, por Alessandro Contini Bonacossi, sendo hoje gerenciada pela quarta geração de Alessandro. Vale a pena mencionar que entre os séculos 14 e 19 Carmigniano foi considerada a melhor área produtora de vinhos da Toscana. A Capezzana possui hoje 650 hectares dos quais 90 plantados com vinhedos e 150 com olivais, nos quais  desde 2009  foi adotada agricultura orgânica , mesmo que sua certificação formal somente ter sido solicitada e concedida em 2015.

Durante esta semana participei de apresentação dos vinhos da Capezzana comandada por Leone Contini Bonacossi já da 5ª geração desta tradicional família vinhateira, e foi pena ter que sair cedo por ter outro compromisso pois queria explorar um pouco mais a presença de Leone para conhecer melhor esta vinícola que tanto me agrada.

Provamos os seguintes vinhos:

Tenuta di Capezzana Chardonnay IGT 2013 com 12,5% de  álcool - R$ 120. - Resfrescante, com notas de abacaxi fresco, ervas e boa mineralidade. Na boca, boa acidez, seco, corpo médio. Simples, fresco, vale quanto pesa.

Trebbiano IGT 2015. Com 13, 5% R$ 200 – Perfil olfativo mais fechado, com predominância floral e mineral, mas fechando com presença de baunilha. Na boca seco, ponta de alcool, mais estruturado, final de boca longo com presença de madeira. Uma gota a mais de acidez e uma tábua a menos na barrica o deixariam perfeito

Monna Nera IGT 2015 Corte de Sangiovese 50%, Merlot 20%, Cabernet Sauvignon, 10%,  Syrah 10%, e  Canaiolo  10% com 13,5 % - R$ 100 – Vinho jovem para o dia a dia. Frutas negras, violetas, e amêndoas. Boa acidez, taninos agradáveis, corpo leve, macio, final de boca fácil. Um vinho despojado, fácil sem defeitos

Barco Reale di Carmigniano Doc 2012- Corte Sangiovese 70%, Cabernet Sauvignon  20 %, e Canaiolo 10% com 13,5% de álcool, e 12 meses em barricas francesas. - R$ 135 – Rubi, boa concentração, leve halo.  Frutas negras maduras, floral, herbáceo, e terroso. Na boca, vibrante, alta acidez, taninos presentes, mas muito finos, corpo médio, retrogosto frutado, gostoso de beber. Para mim o de melhor custo benefício do painel.

 
 
Villa Capezzana Carmigniano 2013 - Corte Sangiovese 80%, e Cabernet Sauvignon 20%, com 14% alcool com 12 meses em Toneaux – R$ 230 – Violáceo, média concentração, sem halo. Complexo, químico, framboesas e cerejas maduras, hortelã, anis, terroso, e toque de baunilha. Acidez ok, aveludado, taninos empoeirados, corpo médio, e final de boca com frutas tostado e alcaçuz.

Trefiano Carmigniano 2010 - Corte com Sangiovese 80% Cabernet Sauvignon 10% e Canaiolo 10% , com 14% de álcool, e 18 meses em Toneaux Frances -  R$ 300 -  Rubi, média concentração, e  leve halo. Complexo, Frutas vermelhas maduras, ameixa, baunilha, grama, e especiarias. Na boca, redondo, macio taninos finos, ponta de álcool Um vinho opulento com estilo mais moderno ao estilo do homem da caneta.


Ghiaie della Furba IGT2010 - Corte de Cabernet Sauvignon 60% , Merlot 30% e Syrah 10% com 14% alcool, e 15 meses em barricas francesas. - R$ 300 - Rubi ralo indo para granada, leve halo. Frutas negras, herbáceo, pimenta preta, leve terroso. Ótima  acidez, taninos mais  intensos mas finos, volumoso,  bom corpo, final de boca seco frutado , lembrando um bom Bordeaux. No ano passado tomei um destes com 30 anos de vida e estava perfeito, sou fã de carteirinha mesmo que não tenha Sangio no corte.
Capezzana 804 Igt 2004 – Um Syrah in Purezza com 14%  álcool , só elaborado na safra de 2004 - R$ 900 – Granada, alta concentração,  halo de evolução. No nariz abriu sua caixa de ferramentas, frutas negras maduras, especiarias, flores escuras, madeira velha e couro. Na boca a maturidade se tornou exibicionista, macio redondo, suculento, glicerinado, pede para ser consumido já, agora, imediatamente, uma maravilha !

 
 
 
 
Mistral: Site – www.mistral.com.br  - Fone (011) 3372 3400

Capezzana – Site : www.capezzana.it

17 de mar de 2017

Gosta de Vinho Alemão ? Então não perca



 
Para os amantes dos bons vinhos alemães deixo aqui uma dica. A Winekeller está organizando o primeiro festival de Riesling alemão no Clube Transatlântico neste  fim de semana. Na ocasião além de você degustar 4 rotulos desta variedade que para mim é a rainha das brancas , poderá também assistir a work shop sobre a varietal e participar de uma degustação exclusiva de Riesling raros. Para mais detalhes ligue para Vivien no (011) 4114 6789

Data: 25/3 sábado. Das 12:00 às 19h

Local: Club Transatlântico - Rua José Guerra 130 - Chácara Santo Antônio (SP)

Valor do ingresso: R$45,00 (inclui degustação de 4 rótulos)

Valor da degustação premium de Rieslings raros para até 12 pessoas: R$ 350,00 por pessoa

Winekeller: Site - www.weinkeller.com.br  Fone – (011)  4114 6789

15 de mar de 2017

Paixão pelo vinho transforma industrial em importador


Alaor e seus produtores

O mundo do vinho é sem duvida apaixonante, e esta paixão pode se manifestar de diversas formas. Uma delas e das pessoas se envolverem no dia a dia deste gigantesco negócio profissionalmente, fazem parte deste mundo os produtores, enólogos, importadores, jornalistas, etc etc . Tudo ganha ainda mais glamour quando vemos celebridades como atores de cinema montando vinícolas ou emprestando seu nome para rótulos como ocorreu com Angelina Joly e seu delicioso rose Miraval, o neo zelandez Sam Neill conhecido pelo filme Parque dos Dinossaurus  que montou sua própria vinícola Two Paddocks,  Antonio Banderas sócio de vinícola em Ribera Del Duero , Drew Barrymore etc etc. O mesmo ocorre com diretores de cinema como Francis Ford Coppola, Italo Zingarelli da Rocca delle Macie e antigo produtor dos Far West italianos da série Trinity, existem também os pilotos de corrida como de Jarno Trulli, Mario Andretti, cantores como Andrea Bocelli, Bob Scaggs,Dave Steward ( Eurythmics ), jogadores de futebol como Iniesta, e David Beckham, e mais uma série de famosos. No Brasil os casos mais conhecidos são do comentarista Galvão Bueno, e do banqueiro André Esteve. Mas existe uma série muito grande de apaixonados que decidem investir no vinho, um exemplo recente foi do industrial bem sucedido no ramo de cosméticos, sócio proprietário da Aqia, Alaor Lino Pereira, um amante dos  vinhos da Borgonha, que decidiu tornar seu de hobbie mais um negócio com a abertura da importadora Anima Vinum.  Alaor organizou na semana passada uma apresentação de alguns vinhos que já traz para o Brasil contando com a presença de seus produtores, como Emanuel Dampt, Fabrice Masse e Franz Ludwig Godard, e  Pascal Arnoux.

Emanuel Dampt
Vamos aos vinhos provados:

Petit Chablis Vieilles Vignes do Domaine Dampt 2014  (R$ 170,00)

Viré-Classé Vielles Vignes do Domaine Gondard Perrin 2014 (R$ 182,00) – Meu destaque como o melhor custo benefício do painel.

Bourgogne Côte-Chalonnaise Vieilles Vignes do Domaine Masse 2014 (R$ 170,00)

Givry “Cros de la La Brulee”do Domaine Masse 2014 (R$ 254,00)

Grand Cru “Les Preuses”do Domaine Dampt  2014 (R$ 650,00). Para mim o melhor vinho branco entre os apresentados

Givry 1er Cru “En Veau Vieilles Vignes” do Domaine Masse  2014 (R$ 297,00)

Savigny 1er Cru “Les Peuilletes” do Domaine Arnoux & Fils 2012 (R$ 489,00)

Savigny Lès Beaune 1er Cru “Les Vergelesses” 2014 da Domaine Arnoux & Fils  (R$ 529,00)

Aloxe Corton do Domaine Arnoux & Fils 2014 (R$ 621,00). Para mim o melhor tinto do painel

Franz Ludwig Godard
O encontro ocorreu na Vinum Est espaço criado por nossa querida friulana Anna Rita Zainer e do sempre profissional Gianni Tartari . Como sempre, muita descontração sem perder o profissionalismo. Um painel marcado por vinhos de raiz, elaborados por  pequenos produtores que são a marca registrada desta fantástica região da França que ultimamente  vem sendo tomada por grandes negociantes. Certamente uma experiência única com gente simples que sabe produzir bons vinhos.

Pascal Aranoux e Anna Rita Zainer
Anima Vinnum – Site;  www.animavinum.com.br   - Fone (011) 2774 3767

9 de mar de 2017

No evento da IVDP minha homenagem ao dia internacional da mulher



Ontem tive o prazer de participar de um jantar oferecido pelo IVDP para a mídia especializada em vinhos de São Paulo. Como sempre um evento muito bem organizado e com grandes vinhos que reforçam cada vez mais o Douro e mantém o Porto como as grandes origens de vinhos de Portugal. Para confirmar o que digo, vejam a relação dos vinhos provados:

Quinta de La Rosa Branco 2014

Poças Reserva Tinto 2014

Vale D. Maria do Vinha do Rio Tinto 2014

Batuta Niepoort Tinto 2014

Crochet Tinto 2013

Poeira Tinto 2011

Porto Vista Alegre 40 anos

Kopke Colheita 1978

Krohn Porto Vintage 1965

Como não poderia deixar de ser a prova dos Portos evoluídos foi uma festa para todos os presentes, com meu destaque ficando para o maravilhoso Kopke Colheita 1978, absolutamente perfeito.

 
 
Já entre os vinhos do Douro uma prova para antecipar o potencial dos participantes  afinal eram todos vinhos de guarda e que certamente irão precisar de no mínimo mais 5 anos de garrafa para atingirem seu momento ideal de consumo. Entre eles ainda não havia provado o Poças e o Crochet, e foi neste último que ficou meu coração exatamente no dia internacional da mulher, visto este vinho é elaborado por duas jovens enólogas, a espanhola Susana Esteban que tem longo caminho percorrido em Portugal junto a Quinta do Cotto,e Quinta do Crasto no Douro, e Tiago Cabaço, Herdade do Barrocal, Monte dos Cabaços e Monte da Raposinha no Alentejo, e da portuguesa Sandra Tavares da Silva enóloga da Quinta Vale Dona Maria junto a Christiano Van Zeller, e posteriormente da Wine and Soul onde elabora os maravilhosos  Pinta e Guru , junto com Jorge Serôdio. Hoje a vinícola Esteban & Tavares Vinhos – Lda produz  vinhos tanto no Douro ( Crochet) como no Alentejo ( Tricot) , o Chochet que provei era um da safra 2013, um corte com 60% Touriga Franca, 40% Touriga Nacional , com produção de apenas 4 mil garrafas ano, vinificação em cubas de inox com maceração pós fermentativa, estágio  de 18 meses em barricas de carvalho francês sendo  40% novas e 60% de segundo uso, e 14,5% de álcool.Importado no Brasil pela Adega Alentejana e que tem preço de venda ao consumidor final de R$ 454 por garrafa.
 

Fica aqui então minha homenagem à todas as mulheres pela passagem de seu dia!

 Crochet 2013 – Violáceo, extra tinto, sem halo de evolução. Olfativamente  complexo, mas muito delicado, destacando sua alta mineralidade , que suaviza as frutas negras , e o aroma floral que lembra violetas. Na boca macio, fresco, com taninos muito finos e já resolvidos, e  final de boca longo . Um vinho elegante já pronto para consumo, mas que vai ganhar ainda mais predicados com alguns anos de garrafa.

Parabéns ao IVDP por mais este evento

7 de mar de 2017

Verticais forma certa de mensurar o potencial das safras.


 

Cada vez que participo de uma degustação vertical, mais me animo, afinal é sempre um motivo de bom aprendizado  Recentemente fui convidado por Adriano Annovi Gerente Geral da Lunadoro  para participar de degustação vertical do Nobile di Montepulciano de sua produção. Lunadoro é  uma das estrelas do grupo suíço Schenk  que possui 18 vinícolas sendo 10 na Suiça,  4 na Itália, 2 na França, e 2 na Espanha. Foram 10 safras do Lunadoro Riserva Quercione contemplando os anos de 2004, a 2013. A apresentação ficou a cargo do novo enólogo da casa o competentíssimo Maurizio Saettini ( guardem este nome)  que pacientemente nos explicou os dados técnicos de produção e características de cada uma das safras provadas. Maurizio trabalhou 10 anos com Roberto Cipresso e tem como filosofia a produção natural através da viticultura orgânica, evitando também ao máximo interferências no processo de vinificação além de um “Midas Touch” na relação do vinho com a madeira. Neste processo ele desenvolve constante busca junto às tanoarias do tipo de madeira e tosta corretas para cada terroir com o qual está trabalhando, o resultado é realmente animador mesmo para aqueles que não tem prazer em tomar vinhos com passagem em madeira. Seus vinhos são olfativamente complexos, elegantes, leves, muito fáceis de beber. Durante nossa vertical ficou extremamente clara a diferença de estilos que este produtor adotou com o passar dos anos e certamente com a mão dos diferentes enólogos. As primeiras duas safras  foram quentes e consideradas 4 estrelas pelo próprio Consorcio, ambos os vinhos estavam maduros, muito bem balanceados e totalmente prontos para beber mostrando definitivamente o grande potencial do terroir . A safra 2006 que veio a seguir certamente foi o destaque entre os vinhos " Pré Maurizio", uma safra 5 estrelas com clima frio, que gerou um vinho extremamente elegante, fino e de muita complexidade. As safras 2007, 2008, 2009, e 2010 todas entre 4 e 5 estrelas  mostraram uma mudança sensível no processo de produção pois “para mim” os vinhos se apresentaram  mais quentes estruturados, alcoólicos e amadeirados. Finalmente os últimos 3 exemplares, já elaborados por Maurizio (2011, 2012, e 2013 ), voltaram a mostrar aquela complexidade olfativa, complementada por  um  toque de elegância que não havíamos notado nas safras anteriores, e principalmente pela harmonia do vinho com a madeira, uma mudança pra lá de perceptível.  Meus destaques ficaram para os Riserva Quercione 2006, 2012, e 2013.
 
Maurizio Saettini

A Lunadoro está localizada em Valiano dentro da região de Montepulciano e conta com 40 hectares dos quais 12 ocupados por vinhedos sendo 10 hectares de Sangiovese e 2 de Merlot e Cabernet Sauvignon. A empresa adquirida pela Shenck em 2016 produz por volta de 35 mil garrafas de vinho/ano, mas já conta com plano de expansão que a levara próxima aos 80 mil garrafas ano, além da melhoria geral nos processos de produção. Certamente uma ótima opção para quem gosta de Sangiovese e mais especificamente dos Nobiles de Montepulciano.  Quem tiver acesso a este produtor tente comprar suas safras mais recentes você não vai se arrepender! Já entrou na minha lista de desejos. Salute !